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Homilia da Sexta-feira da Paixão convida fiéis a encarar o pecado e redescobrir o amor de Cristo em Porto Ferreira

assessoriadefamosos 4 min de leitura 1 views

A tarde da Sexta-feira da Paixão foi vivida com profunda intensidade no Santuário Diocesano de São Sebastião, onde fiéis se reuniram às 15h para celebrar a Paixão de Cristo, momento que relembra a morte de Jesus na cruz e convida à contemplação do maior gesto de amor da fé cristã. A celebração, presidida pelo reitor Padre Fernando Mendes, teve como ponto central a homilia conduzida pelo Frei Vanderlei de Lima, da Diocese de Limeira.

Em uma mensagem direta e profundamente reflexiva, Frei Vanderlei conduziu os fiéis a um confronto interior, propondo uma pergunta essencial: o que realmente tem ocupado o lugar de Deus na vida de cada um? Ao afirmar que muitas vezes o ser humano “troca o Criador pelas criaturas”, ele destacou como a busca por reconhecimento, aparência e valorização externa tem afastado as pessoas daquilo que verdadeiramente sustenta a vida espiritual.

A homilia seguiu revelando o contraste entre a lógica humana e o modo de agir de Deus. Enquanto o mundo valoriza aquilo que é bonito, forte e admirado, Cristo se apresenta na cruz de forma desfigurada, ferida e rejeitada. Para o frei, essa imagem não representa derrota, mas a expressão mais radical do amor. Ele lembrou que Jesus, mesmo sendo inocente, assumiu o peso dos pecados da humanidade, tornando-se irreconhecível não por fraqueza, mas por entrega.

Ao aprofundar essa reflexão, Frei Vanderlei destacou que o pecado é a verdadeira causa da perda da beleza interior do ser humano. Não se trata apenas de erros isolados, mas de uma realidade que afasta o homem de Deus e de si mesmo. Nesse sentido, ele afirmou que a cruz continua presente na história, não apenas como lembrança, mas como consequência das escolhas humanas. Cada atitude contrária ao amor, segundo ele, reforça esse distanciamento e atualiza o sofrimento de Cristo.

A reflexão também ganhou um tom próximo e humano ao abordar a experiência das famílias, especialmente o olhar de uma mãe. Ao recordar o cuidado constante e a preocupação que nunca cessam, Frei Vanderlei conduziu os fiéis à cena da cruz sob a perspectiva de Maria. Uma mãe que vê o filho sofrer, que não compreende totalmente, mas que permanece. Essa permanência, silenciosa e firme, foi apresentada como exemplo de fidelidade e amor que não recua diante da dor.

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Maria, nesse contexto, foi lembrada não apenas como personagem da história da salvação, mas como presença viva na caminhada dos cristãos. Uma mãe que intercede, que acompanha e que conhece as dores de cada filho. A sua dor, unida à de Cristo, foi apresentada como caminho de acolhimento para todos aqueles que enfrentam sofrimento, dúvidas e angústias.

Outro ponto marcante da homilia foi a crítica à vivência superficial da fé. Frei Vanderlei alertou para o risco de transformar Deus em alguém a quem se recorre apenas por conveniência, como se fosse possível escolher apenas o que agrada e rejeitar aquilo que exige mudança. Ele ressaltou que o Evangelho pede coerência, especialmente no que diz respeito ao perdão. Ao recordar as palavras do Pai Nosso, destacou que não há verdadeira oração sem disposição sincera de perdoar.

A celebração seguiu com a Adoração da Santa Cruz, momento em que os fiéis, em silêncio, se aproximaram para venerar o símbolo do sacrifício de Cristo. Também foram realizadas as orações universais, abrangendo intenções pela Igreja, pelo Papa, pela paz no mundo, pelo Brasil, pelos que sofrem e por todos aqueles que ainda não creem, reforçando o caráter universal da salvação.

No encerramento, a imagem de Maria voltou a conduzir a reflexão final. Diante do sofrimento e da morte do Filho, ela permanece fiel, mesmo sem respostas. Sua entrega total à vontade de Deus foi apresentada como expressão de uma fé madura, que não depende de explicações, mas se sustenta na confiança.

A homilia deixou uma mensagem clara e profunda: a Paixão de Cristo não é apenas um acontecimento a ser lembrado, mas um convite a ser vivido. Um chamado à conversão, ao reencontro com Deus e à redescoberta do amor que se entrega por inteiro. Em meio à dor da cruz, permanece a certeza de que a última palavra não é o sofrimento, mas a vida — uma esperança que se renova e aponta para a vitória definitiva de Cristo.

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