Fundo Social propõe programa municipal para prevenir e enfrentar impactos das apostas eletrônicas

O avanço das apostas eletrônicas e os impactos provocados pelo uso problemático dessas plataformas estão no centro de uma proposta apresentada pelo Fundo Social de Limeira à Prefeitura. A iniciativa prevê a criação de um Programa Municipal de Prevenção e Enfrentamento às Apostas Eletrônicas, com medidas voltadas à prevenção, orientação e atendimento de pessoas e famílias afetadas pela ludopatia.
A proposta, que será submetida à Câmara Municipal, considera que os efeitos das apostas podem ultrapassar a esfera individual e atingir diretamente o orçamento e a dinâmica das famílias. Entre as situações identificadas estão perda de renda, acúmulo de dívidas e comprometimento de recursos destinados a despesas básicas. Dados da Confederação Nacional do Comércio (CNC) apontam a dimensão econômica do fenômeno: aproximadamente R$ 103 bilhões que anteriormente eram destinados ao consumo no comércio passaram a ser direcionados às apostas.
Para enfrentar o problema, o programa estabelece a integração de diferentes políticas públicas municipais. A rede de saúde deverá ter papel importante, especialmente por meio da atenção à saúde mental, enquanto os serviços de assistência social poderão acompanhar famílias em situação de vulnerabilidade. A proposta também prevê ações de orientação, atividades educativas, campanhas de conscientização e articulação com instituições que trabalham com prevenção e tratamento da ludopatia.
“A dependência em apostas pode produzir consequências que vão muito além das perdas financeiras. O problema pode comprometer a renda familiar, a alimentação, as relações dentro de casa e a saúde mental. Por isso, é importante que o poder público tenha uma estratégia organizada de prevenção, orientação e atendimento”, afirma a primeira-dama e presidente do Fundo Social, Luciana Félix.
Outra frente prevista é a articulação institucional com órgãos das esferas estadual e federal, além do Congresso Nacional, para discutir o aprimoramento das políticas relacionadas às apostas eletrônicas e a possibilidade de destinação de recursos para ações de prevenção, tratamento e fortalecimento da rede de atendimento.
“O objetivo é reunir os serviços que já existem e estabelecer uma atuação coordenada, de modo que as pessoas afetadas possam encontrar orientação e atendimento adequado. A prevenção também é fundamental, principalmente entre crianças, adolescentes e famílias em situação de maior vulnerabilidade”, destaca Luciana.
A proposta prevê ainda o desenvolvimento de ações permanentes de conscientização sobre os riscos associados às apostas eletrônicas, com informações sobre endividamento, saúde mental e os impactos que o comportamento compulsivo pode provocar no ambiente familiar.

